Brasil reage a mercado internacional na colheita de algodão

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O Brasil vem se consolidando como um dos cinco maiores produtores de algodão do mundo, ao lado de China, Índia, Estados Unidos e Paquistão. Também está entre os maiores exportadores e entrou em 2020 com uma previsão de safra que deve bater novo recorde na série histórica do IBGE. 

Segundo o órgão, a colheita de algodão em caroço, em território brasileiro, deve chegar a 7,1 milhões de toneladas, um crescimento de 2,7% em comparação ao ano passado. A área plantada também deve aumentar em 7,1%. Há crescimento das estimativas de produção no Tocantins, no Piauí, no Mato Grosso do Sul, no Mato Grosso e em Goiás.

As recentes oscilações no preço da fibra, no entanto, ainda deixam alguns produtores receosos, mesmo com os números positivos. A atenção está na China, destino de 34% do nosso algodão, mas que acaba de fechar um acordo comercial com os EUA. Segundo o Diretor Executivo da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), Marcio Portocarrero, essa aliança é preocupante, mas está sendo encarada como um desafio. 

“Vamos produzir um algodão diferente do americano, cativar o cliente para não abandonarem o Brasil em função de uma cota do algodão americano. Até agora, ninguém sabe o que vai acontecer na prática. A gente sabe que a China não vai colocar todas as cartas nesse acordo. Com certeza, eles vão manter os parceiros e aproveitar o que tiver de oportunidades nesse acordo”.

Marcio Portocarrero, Diretor Executivo da Abrapa

Presença mais forte na Ásia

colheita algodão

Para estreitar laços com o mercado asiático, a Abrapa abriu um escritório em Singapura. “Na última safra, chegamos como segundo maior exportador do mundo. É um processo difícil de regredir, a não ser que o mercado passe por uma retração muito forte ou um acordo como esse, firmado entre governos que não são o nosso”, explica Portocarrero. 

Com o intuito de se manter no topo do ranking das exportações, algumas estratégias foram traçadas para uma presença mais efetiva na Ásia. Com representantes trabalhando em países como China, Indonésia e Vietnã, a expectativa é colocar o algodão brasileiro em evidência, ressaltando sua qualidade, sustentabilidade e credibilidade.

“Estamos mudando da posição mais passiva para falar o ano todo. Foi uma decisão em decorrência do volume que a gente tem”, continua o Diretor Executivo. A previsão para 2020 é de 3 milhões de toneladas, das quais apenas 700 mil devem ficar no mercado interno.

Colheita de algodão planejada

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Nessa incerteza, os produtores brasileiros analisam o cenário e se planejam para não haver quebra de expectativas. Rodrigo Ribeiro, Gerente de Planejamento d’O Telhar Agro, diz que os ajustes são necessários e que, antes do plantio, houve mudanças estratégicas baseadas nas previsões, além de benchmarking com outras empresas. “Ao invés de seguir com crescimento significativo de área, decidiu-se por um crescimento modesto na ordem de 6,5%. Com zero de investimento em capex, utilizando apenas as estruturas já existentes”, conta. 

Apesar do cenário delicado, a empresa segue com expectativas positivas e com otimismo de que os resultados não serão ruins. “Como preço não está na nossa mão, vamos fazer o melhor para compensar tudo isso em produção”, conclui Rodrigo.

Monitoramento digital aliado

Uma das formas de melhorar a produtividade é se aliar ao monitoramento de dados por meio de tecnologias digitais, que permitem mais precisão no plantio e na colheita. Segundo o Diretor de Desenvolvimento de Negócios da Strider, Paulo Vianna, a adoção de soluções digitais são essenciais para melhorar esse processo.

“O ano de 2020 será decisivo para os produtores de algodão. O aumento da demanda chinesa pelo produto, há alguns anos, inflacionou o preço do ativo no mercado, mas não sustentará sozinho a rentabilidade a longo prazo. Soluções digitais que propiciem uma melhor gestão de insumos e acompanhamento da lavoura serão imprescindíveis para aumentar a eficiência no campo e garantir lucratividade alta”, argumenta.

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