Liderança feminina e sua posição no mercado

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por Andrea Cordeiro, Grupo Labhoro

Este mês escolhi um tema que não é discutido abertamente, mas é extremamente importante: algumas dificuldades que mulheres encontram para se tornarem líderes e para se manterem nesta posição. Os entraves independem de setor, e não se limitam a uma categoria ou cargo. Geralmente, as dificuldades que líderes da indústria se deparam, são as mesmas que líderes no varejo, marketing e outras áreas também enfrentam.

Num país como Brasil, que avança a passos mais lentos que outros em equivalência de gênero, e cujo percentual de mulheres em cargos de liderança é de 93%, fica fácil identificar que o grande desafio é a resistência às mulheres em posição de liderança.

Talvez, por algum viés cultural enraizado em nossos núcleos familiares, muitas de nós vivenciamos momentos de questionamentos sem fim quando nos deparamos a oportunidades profissionais e vivemos um processo de baixa autoestima involuntária. Não temos ciência sobre nossas capacidades, e em momentos até nos questionamos se somos a profissional apropriada para conduzir equipes.

Se ainda é limitado nos depararmos com mulheres plenamente conscientes de seus papéis, o que dizer então do olhar de um homem sobre nossas capacitações? Isso tudo resulta justamente numa resistência – deles, e nossa também. Costumo dizer que o maior limitador do potencial de um profissional é ele mesmo. Quando não sabemos onde queremos ir e tampouco identificamos em nós condições necessárias para desenvolver um projeto, torna-se complicado entender nossos potenciais. É recorrente o relato de mulheres que afirmam precisar dar mais “sangue, suor e lágrimas” para provar a sua equipe (e às vezes, até para si mesma) que é capaz de estar a frente e ser uma boa profissional.

Reprodução/Arquivo pessoal Andre Cordeiro.

O que prova que não estou falando bobagens é o resultado da pesquisa promovida pela IPSOS. Numa tradução livre, a pesquisa “Atitudes Globais pela Igualdade de Gênero” corrobora esse desafio. Segundo os dados, 27% do público entrevistado declarou se sentir desconfortável com a presença de uma mulher no cargo de liderança. E adivinhe aí do outro lado da tela qual foi o público que mais se mostrou resistente a uma chefe mulher? A própria mulher. Cerca de 31% das mulheres entrevistadas assumiram a restrição por serem lideradas por outra mulher.

Aliado à baixa confiança e à resistência que se depara, outro importante desafio é que poucas mulheres exercem simultaneamente cargos de liderança limitando exemplos reais e efetivos de lideranças femininas. Com isso, existe uma restrição natural de compartilhamento de cases reais, fomentados em núcleos e equipes lideradas por mulheres. Acho válido destacar uma prática observada em vários países, que no Brasil ganha alcance e ajuda muitas profissionais a conquistarem e manterem seus espaços.

Cada vez mais líderes se unem em uma rede de relacionamentos profissional. São mulheres que conduzem outras profissionais pelos caminhos que elas próprias já percorreram. Essa rede de apoio promove debates e aceleram o processo de conquistas de outras líderes. Mulheres costumam identificar e entender com mais tranquilidade as limitações de suas pares, porque em algum momento essas também já foram suas limitações.

Pessoalmente eu invisto nessa estratégia. Participo de alguns grupos nos quais profissionais mulheres, referências em suas áreas, se apoiam e incentivam uma as outras. Compartilho com essas profissionais minhas dúvidas, anseios e limitações, além de pedir dicas e feedback que possam me ajudar. Assim, ganho visões diferentes e aprendo todos os dias. Em contrapartida, ofereço meu olhar para aquela outra colega que está em dúvida, ou não sabe qual estratégia adotar e pensa em desistir. Fazer parte de uma rede assim não é fácil, mas vale a pena. Os objetivos precisam ser os mesmos, além de haver foco para não desprender energia boa no que não agrega.


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