A transformação digital e as mulheres do agro

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A transformação digital do agronegócio já é realidade no Brasil, mas encontra diversos entraves tecnológicos e ocorre de forma gradual. Podemos fazer o mesmo paralelo com a presença feminina nesse mercado, que ainda engatinha quando o assunto é equidade entre gêneros. Há, no entanto, avanços nesse sentido. Segundo os dados mais recentes do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada da USP, em uma década, o total de mulheres trabalhando no setor cresceu e chegou a 27,97%. Elas já são responsáveis pela gestão de 30% do segmento no país, o que corresponde a cerca de 8% do PIB nacional.

“Tanto no setor de tecnologia quanto no agrícola, a predominância é de homens em cargos de gestão quase em 100%. Quando entrei na Strider, três anos atrás, e fui trabalhar com agro, que era uma área que não estava familiarizada, achei que a presença da mulher era menor. Ter visto esse crescimento e o tanto de iniciativas sobre a participação delas no setor me fez ver que isso é uma questão que incomoda as mulheres e como elas estão ativas para fazer diferente”, conta a Diretora de Marketing da Strider, Flora Viana.

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Diretora de Marketing da Strider, Flora Viana

Hoje, um terço da força da Strider é composta por mulheres, que atuam nas mais variadas áreas, desde o setor de engenharia de software até a consultoria de clientes no campo. “A Strider sempre teve a política de não considerar fatores de gênero na contratação. Para contratar no campo, por causa do estereótipo, muitas empresas poderiam ter receio de contratar mulheres, mas isso nunca foi questão. Temos muitas mulheres na área de campo. Sempre me orgulhei de não enxergar gênero como empecilho”, completa Flora.

Há cinco meses atuando como consultora na Strider, Ana Loschi diz que pensou que seria mais difícil trabalhar no agro, mas se surpreendeu. “A maioria é homem no campo, vi poucas mulheres agrônomas e gerentes. Mas até hoje, não vi piadinha de mau gosto ou ninguém sendo antiprofissional comigo”, conta. Mesmo assim, ela afirma que, por ser mulher, é preciso ser impor mais, pois está “sempre um passo atrás”.

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Ana Loschi, consultora da Strider

Em busca de mais AgGirls

Formada em Ciência da Computação, a Gerente de Transformação Digital da Strider Renata Mendes chegou na empresa com a proposta de expansão comercial. “Como gestora, trabalho com homens e mulheres. Vejo que elas são guerreiras, valentes, sem medo de encarar esse desafio”, conta. Renata se formou em 2004, em uma turma com apenas cinco alunas. “Já mudou, houve muita evolução nesse sentido. Entrei na Strider e vi muita mulher. Pode parecer pouco, mas qual empresa de tecnologia tem um terço de mulheres?”, finaliza.

Renata Mendes, Gerente de Transformação Digital da Strider

Dados da Associação para Promoção da Excelência do Software Brasileiro (Softex) revelam que a atuação feminina no mercado de tecnologia de informação ainda é tímida: as mulheres representam apenas 20% e recebem salários menores que os homens. O curso de Engenharia de Software, por exemplo, tem apenas 11,6% de alunas ingressantes.

Primeira desenvolvedora mulher da Strider, Amanda Frances hoje é scrum master do time de Engenharia e conta que “a maioria esmagadora ainda é masculina” nas exatas nas escolas no mercado de trabalho. Mesmo assim, ela reconhece que houve uma evolução. “Quando olho para o lado e vejo uma menina, fico animada. A presença feminina entrou com mais peso no último ano aqui”, diz a jovem, que percebe um movimento de incentivo, no mercado, para levar mais mulheres para a área de desenvolvimento.

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Amanda Frances, primeira desenvolvedora mulher da Strider


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