Tecnologia de ponta é aliada dos cafeicultores do cerrado

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O cerrado brasileiro, que durante décadas se destacou como grande produtor de soja, milho e algodão, entre outros produtos agrícolas, vem a cada dia sendo ocupado por uma nova e importante cultura: o café. Boa terra para isso é o que não falta em estados como Minas Gerais, Bahia e Espírito Santo. O bioma abrange mais de 200 milhões de hectares, em Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Tocantins, Bahia, Piauí e Maranhão, além do Distrito Federal.

Conforme especialistas do setor, a cafeicultura nessa região é caracterizada por apresentar produtividade acima da média nacional, graças ao uso mais eficiente de toda a tecnologia disponível, que inclui insumos agrícolas de última geração, irrigação adequada, genótipos apropriados, grande índice de mecanização e, mais recentemente, softwares de monitoramento das lavouras.

Porém, para se chegar a este estágio de desenvolvimento, muitos desafios tiveram que ser superados ao longo dos anos, como lembra José Carlos Grossi e seu filho Matheus Grossi, cafeicultores em Patrocínio (região do Alto Paraíba). José Carlos conta que iniciou a produção do grão em 1972, num clima de muita desconfiança. Passados quase 45 anos, eles produzem diversas variedades de café, exportadas para diferentes países da América do Norte, Ásia e Europa.

Além de ter que superar todos os desafios impostos pelo clima e pelo mercado, Matheus explica que a empresa enfrentava dificuldades no monitoramento de pragas e doenças. Por isso, adotaram, em 2016, softwares de monitoramento, evitando desperdício de defensivos e aumentando a produtividade.

A nova ferramenta, segundo eles, facilita a análise dos dados e permite o acesso às informações através de qualquer dispositivo móvel. Por meio de tablets, por exemplo, os agricultores conseguem fazer análises mais consistentes sobre os dados medidos e visualizar os índices com total clareza e confiabilidade.

“Nossa empresa estava debilitada na área de monitoramento de pragas e doenças, já que o sistema era muito manual, ultrapassado e pouco confiável. Por isso, resolvemos buscar uma solução tecnológica para termos uma melhor segurança”, afirma Matheus, que ocupa o cargo de Gerente de Produção.

Diante disso, ele faz previsões otimistas em relação aos resultados futuros. “Como o café é uma planta perene, ainda não completamos um ciclo para podermos analisar o ganho em produtividade que a ferramenta proporcionou. Porém, já podemos observar uma economia em algumas pulverizações. E fomos capazes de direcionar alguns talhões, focando aqueles onde existiam danos mais severos”, enfatiza Matheus.

Outro benefício, de acordo com ele, diz respeito à sustentabilidade. Isso porque um dos principais desafios para alcançar certificação do café é agredir minimamente o meio ambiente e comprovar as ações sustentáveis executadas.

Outra propriedade rural que apostou no potencial do cerrado na produção de cafés especiais foi a Baú, que atribui o sucesso da iniciativa à aliança bem sucedida do investimento em tecnologia com o treinamento de mão de obra, que se mostrava como um dos principais obstáculos a serem superados.

Atualmente, ela produz, em 1.050 hectares, 50 mil sacas por ano, das variedades Catuaí, Catucaí, Mundo Novo, Mundo Novo Acaiá, Bourbon, Maragogipe, Sarchimor, Típica, Icatu, Topázio e Acauã. E exporta todas elas para países da Ásia, América do Norte e Europa, principalmente para o Japão, Bélgica e Estados Unidos.

A tecnologia de ponta chegou há cinco anos na Baú, quando ela começou a trabalhar com sistemas de agricultura de precisão, com o objetivo de reduzir custos com os procedimentos de correção das manchas do solo. “Você aplica a quantidade certa de produto no local certo. Hoje, 100% da correção da base do solo na Baú é feita em taxa variável”, afirma o Gerente Operacional da propriedade, Juenes Afonso.

Outra importante inovação ocorreu em junho de 2015, quando a fazenda passou a adotar o sistema de monitoramento de pragas. A informatização trouxe mais precisão na identificação dos problemas e na implantação de medidas corretivas necessárias, com o mínimo impacto possível nas áreas saudáveis. “Em muitos casos, controlamos a área onde está a infestação, sem necessidade de aplicação do produto em todo o talhão”, diz Juenes, que destaca os melhores índices de sustentabilidade e de produtividade alcançados desde então.

Já para superar os desafios impostos pela carência de mão de obra qualificada, a Baú apostou no treinamento de pessoal. “Ainda não temos máquinas eficientes para colheita de café de primeira safra, e em algumas variedades até na segunda. Em função disso, temos uma alta demanda de mão de obra para executar esta atividade. A contratação de funcionários especialmente para este serviço, além de ter um custo muito elevado, a cada ano se torna mais difícil em razão da pequena disponibilidade de trabalhadores”, conclui Juenes.

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