Tecnologia que bombeia esterco em água para irrigação

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Norte-americanos estão acordando para o fato que a seca da água não é apenas um problema do mundo em desenvolvimento. De um lado do país, a seca forçou a Califórnia a racionalizar água e rancheiros de gado das Grandes Planícies a sacrificar seu rebanho. Do outro, tóxicos saem das fazendas do nordeste arriscando afetar os Grandes Lagos e sufocando os suprimentos potáveis, como 500000 pessoas de Ohio aprenderam ano passado quando o Lago Erie foi tomado por algas.

A agricultura já consome 70% do suprimento de água do mundo, de acordo com a Organização de Alimentos e Agricultura das Nações Unidas, mas a pressão sobre agricultores para que se tornem melhores conservadores nunca foi tão grande.

Vários estados começaram a regularizar o tratamento de água. Procurando soluções em escala de fazenda demonstráveis, alguns CAFO (Operação de Alimentação de Animais Concentrados) de porcos e produtores de laticínios transformaram uma invenção de um empreendedor improvável de um lugar improvável.

“Existem companhias tratando esterco, mas não criando água potável limpa,” diz Ross Thurson, um químico do eixo de gás e óleo do Canadá, Calgary, que passou duas décadas limpando locais de água do solo contaminados na indústria de energia. Sua companhia Livestock Water Recycling (LWR) foca em agricultura, desenvolvimento e vendendo a tecnologia que bombeia esterco suíno e bovino em produtos de nutrientes sólidos e água pristina e livre de patógenos – tudo que pode ser reaplicado como fertilizante ou para irrigação. “Tudo é utilizável,” diz ele.

Um LWR típico – do funil engolindo até 30 milhões de galões de efluentes por ano à torneira jorrando água potável – tem 18,30 por 30 metros. É essencialmente uma usina de tratamento de água municipal em propriedade agrícola. Mas com um custo de $500000 a $1,5 milhões, e com o preço de laticínios e suínos caindo, os fazendeiros vão comprá-lo?

“Estamos sempre procurando por coisas que aumentem a sustentabilidade de nossas fazendas,” diz Bill Harke, diretor de relações públicas da Milk Source, um consórcio de laticínios que está no meio de uma instalação de um LWR em uma fazenda de Hudson, Michigan, com 3000 cabeças de gado. A Milk Source opera grandes laticínios pelo estado e Wisconsin, aplicando práticas de agricultura sustentável ao CAFO através da reciclagem de areia e esterco. Harke diz que o próximo passo lógico é recuperar a água do efluente e é aí que entra o LWR.

O sistema começou a ser planejado no meio de 2014. Através do ano, modificaram um prédio necessário para hospedar a tecnologia e começaram a treinar múltiplos membros da equipe para que possa ser uma operação de 24 horas. Harke diz que estão atualmente “trabalhando em problemas que você tem com novas tecnologias.” Ele adiciona, “Estamos obtendo água limpa agora.”.

Thurston da LWR diz que por volta de 15 companhias através da América do Norte investiram em sua tecnologia desde 2008, cinco delas só nos últimos seis meses. Mas nem todos os LWRs instalados ficaram em operação.

“O equipamento ainda está parado lá,” diz William Kingma da tecnologia. Kingdom Farms, sua operação com 2300 cabeças de porcos em Bentley, Alberta, foi uma das primeiras a investir muito acima de $500000 em um plano de pagamento de LWR, encanamentos de esterco e um novo prédio para tratar 40 galões de esterco por minuto. Nunca chegou lá. Nem mesmo perto, na verdade. “Tentamos várias vezes,” ele diz. “Não era o tamanho para nossa fazenda. Teria funcionado; só precisávamos dobrar o sistema. Eu não me importaria em tentar incorporar essa tecnologia adequadamente.” Ainda que tenha perdido dinheiro no investimento, ele diz que “não foi um desperdício completo” porque ele entende o processo de extração de água melhor.

“Como qualquer indústria você precisa de tempo para conseguir tecnologias de esterco que melhorem a confiabilidade do produto,” diz Craig Frear, um antigo pesquisador e professor na Universidade do Estado de Washington que trabalhou no Centro de Agricultura Sustentável e Recursos Naturais. (Ele recentemente assumiu uma posição dirigindo pesquisa e desenvolvimento para a companhia anaeróbica com base no estado de Washington, Regenis). Mas o preço é a maior frustração para fazendeiros quando se trata de tecnologias como LWR, ele diz.

“Quanto mais próximo você chega de água limpa, maior o custo.” Mas Thurston não promete apenas uma solução ambiental via LWR; ele promete uma rentável para um negócio com pelo menos 2000 ou mais cabeças de gado ou alguns milhares de porcos. Separando nutrientes fertilizantes, ele diz, fazendas podem aplica-los – proporcionalmente – em suas plantações, e então vender subprodutos adicionais para outros. Também reduz a necessidade de lagoas e transporte de água custoso, que também causam compactação no solo. “Isso deixa você expandir sua fazenda,” diz Thurston. “Você pode crescer.”

Isso faz com que Paul Wolfe, um especialista em política na Coalisão de Agricultura Sustentável Nacional, fique nervoso. “Isso cria um ciclo viciosos de fazer com que fazendas de grande escala façam com que economias de balança funcionem e temos fábricas de fazendas cada vez maiores,” ele diz. “É ótimo que estejam tentando abordar esse problema, mas precisamos nos mover além do sistema CAFO para um mais integrado que seja melhor para os fazendeiros, para a terra e para os próprios animais.”

Não há evidencia para achar que o sistema CAFO vai diminuir a velocidade. A Europa recentemente levantou a produção de leite quotas só produzirão laticínios. E enquanto mudanças climáticas exacerbam a seca, a ONU estima que a demanda por alimento global aumente 70 por cento até 2050. CAFOs provavelmente terá um grande papel em alimentá-la – e devem fazer isso da maneira mais verde o possível, diz Thurston. “Por mais que as pessoas digam que as grandes operações que sejam um problema, não são, porque as grandes operações podem na verdade fazer algo quanto a isso.”.

(Tradução livre de ModernFarmer)

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